© Daniel Matos

PARA LÁ DO ESQUECIMENTO – Atelier de Coreografias Sonoras

Artista Convidado: Daniel Matos
23 > 27 NOV / E.B.1 Chinicato
30 NOV > 7 DEZ / E.B.1 Bairro Operário

As estalactites são árvores, nada se agarra porque a música foge em forma de estrelas cadentes e olhamos juntos para cima, contemplamos juntos.

Neste atelier iremos trabalhar a partir da gravação e manipulação de voz e som com as crianças, desenvolvendo diálogos que partem de ideias reais para um lugar imaginário. Experimentaremos ainda exercícios coreográficos com projecção de vídeo e de luz, que serão posteriormente aplicados ao trabalho sonoro desenvolvido, perspectivando a criação de um espaço sonoro habitável.
Pretende-se também gerar um lugar de discussão aberta sobre as ideias de sonhos, vontades e realidades, questionando-nos constantemente a nós e aos outros na descoberta de caminhos partilhados como grupo.

A partir da ideia de recolha e de diálogo longínquo, propõe-se a possibilidade de ocupação de lugares não-habitados com ideias e pensamentos esquecidos, que ficaram suspensos e que possibilitam conversas com pensamentos de outros que se esqueceram também das palavras e do corpo.
Idealizando a construção de jardins sonoros não naturais, em pesquisa inicial para a criação de uma instalação / performance audiovisual, o olhar deste atelier procura reunir desconhecidos sem corpo em diálogos e partilhas de desejos, medos e sonhos através da prática da gravação e manipulação de som e luz, aplicando a prática coreográfica para lá do corpo e da matéria palpável.

As vozes e as luzes à distância. Ganhamos tanto tempo no processo do sonho e deixamos perdidas imagens do lado de lá do muro invisível. Quantos de nós partilhamos ao mesmo tempo jardins, separados? Quantos corremos ao mesmo tempo em campos diferentes? E se as vozes ficassem gravadas pelo caminho, para poder voltar?


Daniel Matos (Lagos, 1996) é formado em Dança e Artes Cénicas e tem desenvolvido nos últimos anos trabalho como criador de objectos coreográficos, performance, multimédia e artes plásticas. Em paralelo, é bailarino, performer e colaborador artístico em obras de Angélica Liddell, Ana Borralho & João Galante, Romeo Castelluci, Amélia Bentes, entre outros.
Foi colaborador artístico da BoCa 2017 (Biennial of Contemporary Arts), com curadoria e direcção artística de John Romão; e assistente de produção e assistente de cena na casaBranca e Festival Verão Azul nas edições de 2017 e 2019.
É director artístico e artista residente da Cama.ac, estrutura de criação e difusão artística que co-fundou em 2019 com Joana Flor Duarte.