Purgatório

De: Ana Borralho & João Galante
Estreia: Culturgest (Lisboa, Portugal / 2013)
Duração: 60"

Durante todo o tempo da peça os performers encontram-se de joelhos virados contra uma parede branca enquanto dizem um texto originalmente escrito para uma conferência sobre encenação e política, do autor encenador Rodrigo Garcia “A este tipo no queremos volver a verlo”. Simultaneamente os performers tocam armonicas que se encontram coladas na parede à sua frente. Na sala estão disponíveis recipientes com amendoins para o público consumir.
A iluminação da peça é colocada junto ao chão atrás do público de modo a que as sombras do público em movimento se projectem por cima dos performers.

© Vasco Célio

Segundo várias religiões, Purgatório é a condição e processo de purificação ou castigo temporário em que as almas daqueles que morrem em estado de graça são preparadas para o reino dos céus… alguns acreditam na possibilidade de purificação das almas dos mortos, através das orações dos vivos… Purgatório, é o espaço intermediário entre o paraíso e o inferno, lugar para onde são enviadas as pessoas que cometeram pecados “leves”, menos graves, os “arrependidos” no Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais “intensamente” foram para o Inferno…

Interessa-nos explorar a fronteira / relação entre o espectador e a obra, tentando sempre integrar o público no espaço e no tempo da performance. Importa-nos que as acções que o publico possa tomar tenham um sentido de responsabilidade. A arte também é sobre isto, não é só sobre decorar o mundo e faze-lo parecer melhor ou pior, é também sobre assumir responsabilidades.


Conceito, som e direcção artística: Ana Borralho & João Galante
Texto: Rodrigo Garcia
Luz: Thomas Walgrave
Apoio dramaturgico: Rui Catalão, Fernando J. Ribeiro
Performers: Ana Borralho, Anta Recke, Antonia Buresi, Catarina Gonçalves, Cláudio da Silva, Daniel Melim, Elizabete Francisca, Helena Eckert, João Galante, Luis Godinho, Tiago Gandra
Tradução do castelhano para português: José Pelicano
Tradução do castelhano para inglês: Vera Rocha e Mónica Samões
Revisão textos: Tiago Rodrigues
Agradecimentos: João Fiadeiro
Apoio e residência artística: Atelier Re.Al, TEL – Teatro experimental de Lagos, LAC / LAR
Co-produção: casaBranca, Culturgest

© Vasco Célio

Purgatório
Conferir transparência ao mundo está sempre dependente do grau de nudez que cada cidadão consegue atingir, no decurso de exames de consciência que vão desvelando a orgânica das relações sociais e políticas. A manutenção da consistência e opacidade dos corpos advém da entrega à sua condição animal e, por conseguinte, da noção de inseparabilidade de corpos que comungam das mesmas mentiras, da mesma cegueira, da mesma inocência.
​Fernando J. Ribeiro